Hoje eu preciso escrever uma crônica, pois a minha alma não cabe dentro de mim, quando criança eu me lembro, certo dia descobri como as crianças vinham ao mundo, fiquei a pasmar. como pude ser enganada durante todos aqueles anos, e como uma criança poderia nascer daquela maneira tão dolorosa, meu Deus. A dor maior foi descobrir que a minha mãe estava grávida novamente, ninguém para me ajudar a passar aqueles nove meses de pânico, eu não suportaria vê-la ir ao hospital, saber que a bolsa, eu nem imaginava que dentro de nós coubesse uma BOLSA, estourasse e as contrações, uma após a outra fossem surgindo, até que houvesse dilatação suficiente para o parto ocorrer. Fiquei tão ansiosa, chorei, ninguém para dividir tamanho problema, eu tinha medo da minha mãe não suportar... Pedia todos os dias a Deus que dividisse aquela dor comigo...difícil descrever aquela preocupação. O bebê nasceu, para o meu alívio, pude respirar com a mesma suavidade de uma criança de 11 anos.
O que me surpreende é esse fato surgir novamente em minha mente, como se eu tivesse dores de parto; ainda que tivesse, a dor já até se tornou minha amiga, consigo administrá-la bem. Por que será então que me sinto como se a minha alma não coubesse dentro de mim?
Há lugares que gostaríamos de estar e não podemos e declarar isso faz com que respiremos aliviados. Já estive em tantos lugares em busca de tantas coisas e hoje só existe um lugar no mundo que me traria PAZ. Eu sempre administrei bem as minhas dores, mas há pessoas que amamos tanto, tanto tanto que a dor delas dói em nossa carne, isso eu estou aprendendo a administrar, continuo como menina de onze anos ou talvez como se eu estivesse em praça pública desnuda com todos os meus inimigos a me rodear... a intensidade faz com que eu quisesse ter asas para voar....tudo passa....O amor, esse durará eternamente....
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