quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Supérfluos

Escrevo pouco em meu Blog, pois sempre espero uma grande inspiração para poder fazê-lo, mas hoje quero falar de uma coisa muito banal, afinal o Blog é pessoal, então posso postar qualquer coisa que julgue necessário.
Todos nós temos algumas manias, e eu tenho a mania de perder coisas. Quando falo que vou sair, todos ao meu redor dão uma olhadela pelo ambiente procurando as chaves do carro; até comprei um dispositivo para apitar quando as chaves somem; funciona assim, quando as chaves desaparecem você assobia e o dispositivo apita.
Outro item campeão de perda são os óculos. Já perdi tantos que não tenho mais coragem de dizer que os perdi, na hora do desespero (pois não enxergo quase nada), passo em uma farmácia e compro um de emergência até que o problema seja resolvido.
Os chapéus... Esse artigo deveria ter um capítulo á parte, uma vez que em TODOS os países por onde andei, eu perdi um chapéu. Gostaria de desistir de usá-los, mas quando vejo um modelito novo, me apaixono. No começo eu chorava quando os perdia, mesmo porque, alguns tinham um significado especial, ou era simplesmente meu chapéu, entende? 
Eu poderia listar aqui todos os itens que mais perdi, mas hoje eu só queria desabafar; pensei em escrever uma crônica, tentar sensibilizá-los, procurar ajuda, mas não, isso faz parte de mim, essa pessoa resume o que sou e todos os dias procuro ficar mais atenta. Talvez isso tenha um significado ou talvez essas coisas apesar de necessárias, como os óculos, não sejam tão importantes, senão não os perderia com tanta frequência, não farei disso uma tese, apenas quero dizer que enquanto houver vida e ela for iluminada por um lindo dia de sol; enquanto eu puder observar o por do sol de onde eu estiver ou ver a lua sorrindo anunciando mais uma noite onde posso descansar, vale a pena prosseguir, o resto, com saúde conquistamos...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Relato: Uma tarde em Santa Mônica

Eu estava com  pouquíssimos alunos em uma aula de leitura, para quem não sabe, eu sou professora de Língua e literatura, quando me deparei com um texto maravilhoso de Elizabeth Gilbert, autora do livro Comer, Rezar e Amar. Francamente eu já havia assistido ao filme, mas me após a leitura percebi algo que imagino ser um dos relatos mais fascinantes que já li, daí,a idéia e inspiração para escrever os meus próprios relatos.
O que mais me encantou no referido texto foi o fato de uma pessoa viajar por viajar, pela simples percepção do mundo ao seu redor, das descobertas, meu Deus, isso me fascina; mas hoje estou aqui para falar da minha própria percepção.

UMA TARDE EM SANTA MÔNICA

Perto do glamour de Beverly Hills e do sonho de Hollywood está a calma cidadezinha de Santa Mônica. Rodeada pela suave brisa do Pacífico, a cidade tem o seu próprio estilo, charmoso e calmo. Pelas ruas, aspirantes a cantores mostram as suas canções em troca de algumas moedas de dólar. O pier lotado de turistas de todas as partes do mundo completam essa atmosfera enlouquecida pelo comércio local, lojas maravilhosas com moda casual e charmosa. As pessoas desfrutam a cidade de maneira leve, calma e divertida.
Dentre todas as coisas que percebi durante essa tarde o que mais me encantou em Santa Mônica foi um dos "aspirantes a cantor". Ele devia ter uns 35 anos, negro, com a pele demasiadamente queimada pelo sol. Usava um óculos 'Vintage'amarelo, camisa de manga longa com colete, e com uma das vozes mais suaves que já ouvi, cantava, "What a wonderful World" sentadinho em sua cadeira de rodas. Ele poderia ser uma pessoa invisível, que mesmo assim seria notado, pelo seu talento inconfundível.
Parei  para ouvi-lo, dei-lhe algumas moedas, pedi para tirar uma foto, ainda que não a tirasse guardaria aquela imagem em minha memória para sempre.
Eu não sei quantas vezes irei á Califórnia durante a vida, se visitarei a calçada da fama ou andarei de bicicleta pelos calçadões de Santa Mônica (primeiro preciso aprender a andar de bike), mas certamente guardarei aquela voz...What a wonderful world!!!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

For you, with love - A você com amor - Vinícius de Moraes



O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.


Love is God in fullness, 
the infinite extent 
of  the gifts that come
with the sun and the rain, 
whether in the mountains, 
whether in the fields;
it is the rain that falls 
and the treasure stored 
at the end of the rainbow.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sonnet On Separation - Vinícius de Moraes

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


SONNET ON SEPARATION

          Translated by Ashley Brown

Suddenly laughter became sobbing
Silent and white like the mist
And united mouths became foam
And upturned hands became astonished.

Suddenly the calm became the wind
That extinguished the last flame in the eye
And passion became foreboding
And the still moment became drama.

Suddenly, no more than suddenly
He who'd become a lover became sad
And he who'd become content became lon

The near became the distant friend
Life became a vagrant venture
Suddenly, no more than suddenly.


terça-feira, 21 de julho de 2015

Letter to the Love I never had


I could prepare your bath before going to work, the kiss smelling the coffee, looking longingly across the porch, waiting for you return,,.
I could spend hours on end listening to the sound of your guitar, the sound of bossa nova,  We could run the world or just wander through the kilometers of sand around the sea ... As for sand castles, our kids could bring down as many times fit in their sweet imaginations ..
Now we are poets and we can talk about our dreams, those dreams ...
I do not want to sound corny, By the way, reading the newspaper on Sunday morning may seem a little archaic, worship the Lord at sunday morning, is not new to me, as I do.To tell the truth I have a very interesting life, I am  not  unhappy, I have more than I dreamed..I travel around the world,  I write  my poems, I have a house, very beautiful by the way,I  cultivating my garden ..
In fact I prepare my own bath, preparing coffee for myself and tidy the house only when I want to. I buy the dresses I've always dreamed  about whenever I desire them. Well, I  have a full life, but,  Missing YOU...

Carta ao amor que nunca tive

Eu poderia preparar o  seu banho antes de ir trabalhar, um beijo cheirando a café, o olhar com saudade pela varanda, esperando você voltar.
Eu poderia passar horas a fio ouvindo o som do seu violão,o  som da bossa nova, poderíamos correr o mundo ou apenas percorrer os quilômetros de areia ao redor do mar...Quanto aos castelos de areia, nossos filhos poderíam derrubar quantas vezes coubesse em suas doces imaginações..
Agora somos poetas e podemos discorrer sobre os nossos sonhos, aqueles sonhos...
Eu não quero parecer piegas, afinal ler o jornal no domingo pela manhã pode parecer meio arcaico, adorar ao Senhor aos domingos pela manhã, não é novidade para mim, já o faço, para dizer a verdade eu tenho uma vida muito interessante, eu não sou infeliz, tenho mais do que sonhei..eu viajo pelo mundo, escrevo poemas, eu tenho uma casa, muito bela por sinal e cultivo o meu jardim..
Na verdade eu preparo o meu próprio banho, preparo o café só para mim...Arrumo a casa só quando quero, compro os vestidinhos que sempre sonhei, sempre que os desejo,.Bem, tenho uma vida completa, mas falta VOCÊ..

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Crônica - Minha Bandeira. My Flag!( Read also in English below)...

Eu estava em pé em uma fila para para carregar o meu telefone celular quando um homem empurrou-me e passou na minha frente. No início eu não entendi a razão daquela atitude, simplesmente aguardei um pouco mais para ser atendida. As pessoas o olharam com uma certa reprovação em em seguida tudo correu normalmente, como a vida deve ser.
Eu poderia falar que isso ocorreu no pequeno povoado de Laredo, em Cantábria, Santander, há alguns anos quando eu morava na Espanha; mas isso ocorreria em qualquer cidade de qualquer país, onde houvesse um ser humano forte e um fraco, um ser humano branco e outro negro, ou com mais dinheiro ou menos, sei, lá, não levanto bandeiras.
O fato é que procuramos rótulos em todas as coisas e eu poderia ter iniciado essa crônica citando a minha raça e a do indivíduo e discursando sobre as razões pelas quais ele se sentiu no direito de empurrar-me. Isso não é importante, aliás, por mais importante que seja, vivemos em uma sociedade tão imediatista, tão simplista que fatos como esses se tornam corriqueiros.
Eu sempre digo que depois que inventaram o "politicamente correto"as pessoas são menos felizes. Eu não procuro saber em que estatística incluíram-me, pois por mais exata que sejam, elas não vivem
o day- by-day de cada indivíduo, elas não mesuram a essência do indivíduo. São pautadas no que é considerado ideal, não o veem como seres humanos, mas números, simplesmente.
Bem, eu estou um pouco cansada desses modismos, onde o que é "politicamente correto" virou bandeira nacional. As pessoas, assim como os papagaios repetem as palavras de ordem, " somos todos fulano de tal! Fulano de tal é homofóbico! Sicrano é racista! Somos todos babacas!Nesse último eu me encaixo, talvez essa seja a bandeira que eu levanto, pois sabendo de tudo isso, fico a pasmar. Acabei de encontrar a minha bandeira, vou levantar, vou levantá-la!


I was standing in a queue to charge my cell phone when a man pushed me and passed in front of me. At first I did not understand the reason for that attitude, just waited a little longer to be answered. People looked at him with a certain failure and then everything went normally, how life should be.
I could say that this occurred in the small town of Laredo in Cantabria, Santander, a few years ago when I lived in Spain; but that would take place in any city of any country where there was a strong and a weak human being, a human being white and the other black, or with more money or less, you know, I do not raise flags.
The fact is we're looking for labels in all things and I could have started this chronic citing my race and the individual´s races and speaking about the reasons why he felt entitled to push me. That's not important, in fact, important as it is, we live in a society so shortsighted, so simplistic that facts like these become commonplace.
I always say that after invented the "politically correct" people are less happy. I try not know what statistics they included me as a more accurate they are, they do not live the day- by-day of each individual, they do not mesuram the essence of the individual. Are guided in what is considered ideal, not see it as human beings, but numbers simply.
Well, I'm a little tired of these fads, where what is "politically correct" became a national flag. People, like parrots repeating the slogan, "we are all so and so! So and so is homophobic! Bill is racist! You are all assholes! In the latter I fit in, maybe that's the flag that I get because knowing all this, I am Asshole I just found my flag, I get up, I will raise it!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Caminhos...

Há muito tempo eu não chorava desse jeito,
E não é essa lágrima que corre dos olhos e
Desce ao peito...
É aquela que estava escondida no restrito e
profundo labirinto...
Onde moram os sonhos extintos...
Das cicatrizes encobertas,
das portas entreabertas...
dos recomeços... Ah, esses recomeços...

Eu queria descer dessa roda gigante,
Tenho medo de altura...
Não me sinto segura...
Não quero estar tão distante...
Os sonhos infantes, as borboletas amarelas...
Quero mirá-las mais uma vez...
Correndo pelos campos, colorindo a minha infância...
Hoje as vejo somente pela fresta da janela, embaçada
pela lágrima, que nem desceu do peito...não quero chorar desse jeito...



quarta-feira, 20 de maio de 2015

My way..


No matter how much I wished...
And even how much I lived...
I won´t look behind...
I will move on...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

The Love was There



.


The love was there ...
across the ocean ...
Full of half truths 
Anxieties ...
The love was there ...
So far away from me he was ...
The Love and the ocean ...
I crossed it... I broke  barriers and borders ...
So many times That I don´t even know ...
Love gone...
I do not know where he hid ...(Also I do not want to know)
But the ocean still remains...
And I deserve to dive into it...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Fragmentos...



Somos tão fragmentados...
Que as vezes perdemos a Essência...
A Essência do que procurávamos ser
Enquanto descobrimos...
A vida...
Que escorreu por entre os dedos..
Enquanto as crianças corriam nos parques,
Os velhos discorriam em suas lembranças...
E eu...
Sonho com as singelas ruelas que percorri...
Em algumas cidades, de um certo país...
De certos países...
Certo?...Certos...Não sei!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Minha Alma

Hoje eu estava procurando na internet algum artigo que falasse sobre dor na alma. Imaginei que ao
 lê-lo sentiria um alívio no meu coração. Não encontrei nenhum que pudesse me confortar então, decidi escrever...
Somos como árvores, tantas vezes podadas, folhas mortas e, renascidas, tantas vezes consumida pelo sol e tempestades , ela ainda sobrevive.
Fico imaginando se as suas raízes tem a mesma força, se os seus galhos ainda suportam os seus frutos com o mesmo vigor, se as flores nascem com a  mesma cor em cada estação , se as borboletas ainda a cobiçam com o mesmo entusiasmo.
Muitas vezes ao olharmos para trás percebemos que vivenciamos muitas  guerras  e sobrevivemos;  E quando olhamos para o nosso exterior não conseguimos ver, exatamente, não conseguimos enxergar as marcas que essas guerras nos deixaram, elas estão no mais profundo cantinho da nossa alma. Hoje encontrei a minha!

É num estreito canto de minha alma
Estreito canto que me acalma...
Não pelo canto simplesmente,
Pelo encanto perdido...
Pela fé corrompida...
Simples e Infante, tão distante...
Tão distante, não a dor, o Encanto...
Sim, hoje eu te encontrei...
Num estreito canto de minha alma...
As marcas que me fizeram "comover"...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

I love this classical Poem of Camões...





Love is a fire that burns unseen,
a wound that aches yet isn’t felt,
an always discontent contentment,
a pain that rages without hurting,

a longing for nothing but to long,
a loneliness in the midst of people,
a never feeling pleased when pleased,
a passion that gains when lost in thought.

It’s being enslaved of your own free will;
it’s counting your defeat a victory;
it’s staying loyal to your killer.

But if it’s so self-contradictory,
how can Love, when Love chooses,
bring human hearts into sympathy?

© 1598, Luís Vaz de Camões
From: Rimas
Publisher: Almedina, Coímbra, 1994
ISBN: 972-40-0775-8


Amor é um fogo que arde sem se ver
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


A Happy New Year to all my friends and followers!!!