Apesar dos vidros embaçados pela chuva e pelas lágrimas percebi um casal de cegos descendo a rua sem guarda-chuva. Os dois estavam de braços dados e desciam a rua sem tanta pressa. Parei o carro sem saber o que fazer. No primeiro impulso pensei descer na chuva e colocá-los dentro do carro e levá-los para casa. Mas como abrigar dos ceguinhos em um carro de duas portas em uma ladeira, numa noite chuvosa? Eu não poderia prosseguir, também não sabia o que fazer, a não ser observar pelo retrovisor os dois descendo a avenida, com as bolsas encharcadas, desviando-se dos postes, sem ninguém para protegê-los, sem ninguém para observá-los, só a mim eles tinham....Um carro atrás do meu fez- me engatar a marcha e prosseguir o meu caminho, não mais chorando, um pouco culpada, há coisas na vida que não se explicam.....Sharing Some chronicles, poems that I like and that I wrote, experiences and perception of this crazy world...
sábado, 24 de março de 2012
Há coisas que não se explicam...
Eram onze horas. Noite muito chuvosa de quinta-feira. Eu estava dirigindo o meu carro á caminho de casa. A rua era estreita, os vidros meio embaçados , os faróis dos carros que desciam a avenida ofuscavam a minha visão. Apesar de gostar de noites chuvosas, principalmente depois de um dia exaustivo de trabalho, em que já cumpri todas as minha tarefas e a única missão que restava para o dia era uma xícara de chocolate quente enrolada em um cobertor; eu tinha vontade de chorar. Não pelo cansaço físico ou alguma lembrança repentina, mas pela vida; e vida não é coisa que se explique.
Apesar dos vidros embaçados pela chuva e pelas lágrimas percebi um casal de cegos descendo a rua sem guarda-chuva. Os dois estavam de braços dados e desciam a rua sem tanta pressa. Parei o carro sem saber o que fazer. No primeiro impulso pensei descer na chuva e colocá-los dentro do carro e levá-los para casa. Mas como abrigar dos ceguinhos em um carro de duas portas em uma ladeira, numa noite chuvosa? Eu não poderia prosseguir, também não sabia o que fazer, a não ser observar pelo retrovisor os dois descendo a avenida, com as bolsas encharcadas, desviando-se dos postes, sem ninguém para protegê-los, sem ninguém para observá-los, só a mim eles tinham....Um carro atrás do meu fez- me engatar a marcha e prosseguir o meu caminho, não mais chorando, um pouco culpada, há coisas na vida que não se explicam.....
Apesar dos vidros embaçados pela chuva e pelas lágrimas percebi um casal de cegos descendo a rua sem guarda-chuva. Os dois estavam de braços dados e desciam a rua sem tanta pressa. Parei o carro sem saber o que fazer. No primeiro impulso pensei descer na chuva e colocá-los dentro do carro e levá-los para casa. Mas como abrigar dos ceguinhos em um carro de duas portas em uma ladeira, numa noite chuvosa? Eu não poderia prosseguir, também não sabia o que fazer, a não ser observar pelo retrovisor os dois descendo a avenida, com as bolsas encharcadas, desviando-se dos postes, sem ninguém para protegê-los, sem ninguém para observá-los, só a mim eles tinham....Um carro atrás do meu fez- me engatar a marcha e prosseguir o meu caminho, não mais chorando, um pouco culpada, há coisas na vida que não se explicam.....
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário