terça-feira, 3 de julho de 2012

Um Lugar ao Sol


Houve um tempo em que  as lendas me inspiravam ou mesmo as histórias de amor. Com o passar do tempo as coisas se tornam tão repetitivas, previsíveis que já não me movem, não  inspiram, não me transformam...
Muitas pessoas buscam  algo novo nas drogas, no sexo desenfreado, nos sites de relacionamento,  no álcool,  Talvez a religiosidade...

Outro dia, pela janela de um hospital, comecei a observar os edifícios do 8 andar do prédio onde eu estava; cidade cinzenta, arranha-céus, um mar de prédios, tão diferentes uns dos outros;   gordos, magros, altos, baixos, sujos limpos, multicores...tão diferentes mas todos eles com o seu lugar ao sol.  Mesmo inconscientemente, eles o tem.
O que me moveu a escrever hoje não foram as vezes  em que estive no 8 andar de um prédio de hospital, ou no sexto, quinto...isso não importa, e o que importa ?.., as pessoas  as quais acompanhei , os gemidos de dor de pessoas em seu último estágio de vida ansiando apenas uma dose de morfina, o cheiro de Vômito no piso molhado, as seringas sendo retiradas, eu não sei... o hálito de remédio, dia após dia em um  hospital.  Daqui onde estou posso ver os prédios com o seu lugar ao sol e hoje eu não saberia que lugar seria esse que nos leva a cometer tantos sacrifícios em busca  dele. Mas de repente,  um olhar... Olheiras profundas, cílios imensos, tão negros aqueles  olhos e tão sublime aquele olhar,  lacrimejantes e febris ...cheios de esperança em seus sonhos infantis...Olhou-me fixamente, ensaiou um sorriso interrompido pela dor abdominal, voltou a me olhar e perguntou:
- Tia, será que eu saio do hospital antes de quarta-feira para ver o jogo do Corinthians pela Libertadores? Nesse momento o meu lugar ao sol seria conceder esse desejo...




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