Houve um tempo em que as lendas me
inspiravam ou mesmo as histórias de amor. Com o passar do tempo as coisas se
tornam tão repetitivas, previsíveis que já não me movem, não
inspiram, não me transformam...
Muitas pessoas buscam algo novo
nas drogas, no sexo desenfreado, nos sites de relacionamento, no álcool,
Talvez a religiosidade...
Outro dia, pela janela de um hospital, comecei a observar os edifícios
do 8 andar do prédio onde eu estava; cidade cinzenta, arranha-céus, um mar de
prédios, tão diferentes uns dos outros;
gordos, magros, altos, baixos, sujos limpos, multicores...tão diferentes
mas todos eles com o seu lugar ao sol.
Mesmo inconscientemente, eles o tem.
O que me moveu a escrever hoje não foram as vezes em que estive no 8 andar de um prédio de
hospital, ou no sexto, quinto...isso não importa, e o que importa ?.., as
pessoas as quais acompanhei , os gemidos
de dor de pessoas em seu último estágio de vida ansiando apenas uma dose de
morfina, o cheiro de Vômito no piso molhado, as seringas sendo retiradas, eu
não sei... o hálito de remédio, dia após dia em um hospital.
Daqui onde estou posso ver os prédios com o seu lugar ao sol e hoje eu
não saberia que lugar seria esse que nos leva a cometer tantos sacrifícios em
busca dele. Mas de repente, um olhar... Olheiras profundas, cílios
imensos, tão negros aqueles olhos e tão
sublime aquele olhar, lacrimejantes e
febris ...cheios de esperança em seus sonhos infantis...Olhou-me fixamente,
ensaiou um sorriso interrompido pela dor abdominal, voltou a me olhar e
perguntou:
- Tia, será que eu saio do hospital antes de quarta-feira para ver o jogo do
Corinthians pela Libertadores? Nesse momento o meu lugar ao sol seria conceder esse desejo...
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