Após verificar se a torneira da suite estava fechada pelo menos umas três vezes, descer as escadas correndo, pegar um yogurt na geladeira, fazer o café, tirar a carne do freezer, olhar a internet; será que os seus pés amanheceram inchados hoje? A rota parece congestionada essa manhã ; também é rodízio do carro, melhor chamar o Uber...esqueci um documento, vou precisar dele para passar pela portaria, já estou descendo, ah! trancar o portão,deixar a chave no esconderijo. Virá alguém hoje? Preciso deixar um bilhete...deixa pra lá, vou mandar uma mensagem via what´s Up. Pegou a pasta de documentos? Até que o trânsito estava bom hoje. Que fila enorme essa!!! Pronto tenho a senha, ande um pouco mais depressa, já chamaram o nosso número! Elevador está descendo, espera o próximo!
Ufa! É só aguardar...
No corredor do hospital, do alto do quinto andar, estava sentado com a fragilidade e peso dos seus muitos anos, mãos enrugadas, parecia ter um pouco mais de 75; meio corcunda, óculos marcantes, sempre cabisbaixo. O que me chamou a atenção foi a sua falta de companhia, ninguém para conversar com ele, para apoiá-lo? Na verdade eu estava naquele local como acompanhante, preocupada somente com o que o médico iria dizer; mas parei para observar aquela solidão. De repente ele liga o celular e o alto som de uma canção "My Way, Frank Sinatra ecoou naquele corredor, espantando o dia nublado, espantando as preocupações, espantando toda a dor...Apressado ele tenta desligar e eu torcendo para que não o conseguisse."And now, the end is near"...Meu Deus! preciso ouvir mais!!! Uma senha aparece no painel, ele conseguiu, o som dissipa-se, ele se levanta com as pernas trêmulas e caminha pelo corredor em direção á sua sala e eu, bem, continuei o meu caminho!
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